Se manca, Marina Moreira.
Se manca, Marina Moreira.
odeio conversar com pessoas com “personalidade forte”. elas sempre costumam ser idiotas.
essas duas semanas tem sido muito especiais para mim, por vários motivos, todos bons, ainda que mascarados de problemas.
eu assumo ter um lado de filósofo de boteco e desenvolvo várias teorias sobre as relações humanas.
fato que nesse dias - e em muitos outros também - eu fui confidente de familiares e fui ouvindo vários podres. num primeiro momento, eu fiquei com um pouco de raiva, confusa por algumas pessoas terem que se relacionar com outras guardando tanta mágoa e coisas que precisariam ser ditas. Cheguei a uma conclusão de que a família seria a escola da falsidade.
cada caso é um caso, porém, pelas coisas que acontecem por aqui, eu cheguei a uma conclusão melhor de que as pessoas são muito complicadas e erram muito ao longo da vida. e que não é questão de ser falso ou não é uma questão muitas vezes de medo, orgulho e egoísmo, que algumas pessoas não conseguem controlar e geram muitos problemas por fazerem escolhas erradas na vida.
não sei muito bem onde queria chegar com isso, mas precisava dizer. penso também o que seria da vida de cada um de nós sem amor.
“Se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais. Teatro, boate, cinema. Qualquer prazer não satisfaz.”
Eu estou lendo A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera (edição de bolso Cia. das Letras). O livro é maravilhosamente bem escrito, creio que bem traduzido também. Há tantas coisas no livro que batem com o que tenho pensado ultimamente. É claro que há coisas com as quais não concordo, até porque livros não são necessariamente algo que se leia para concordar ou não.
O fato é que existe no livro o contraponto entre leveza e peso. Uma das personagens, ao largar o namorado, dizia-se pesada com o fardo da leveza. De não carregar aquela estranha história com aquele homem, sua presença, sua bagagem. O peso de não ter certas responsabilidades também pesa. Esse foi meu ponto de vista, nenhum estudo linguístico sobre.
Essa reflexão pós-leitura serviu para ilustrar o que venho pensando sobre peso. Embora o livro tenha me trazido diferentes perspectivas sobre essa palavra e sua sensação, eu ainda não terminei de ler o livro para entender sua totalidade. De modo que fico com o que penso sobre peso.
Peso é culpa, peso é fazer o que não se quer. Peso é querer ser o que não é, nem um pouquinho. É continuar vivendo nessa negatividade que a sociedade criou. É usar palavras tão duras, tão fortes. É cultivar coisas que não valem a pena, sejam materiais, ou sentimento perturbadores. Nós vivemos semeando coisas que não valem a pena.
Transformando coisas que poderiam ser leves em pesos, pesos insustentáveis pois demoramos a ter coragem para ver outros lados do mundo.
E sabe porquê?
Somos idiotas.
“E o pra sempre…sempre acaba…”.
Você me cantou isso no ouvido e eu cai no choro. Há anos atrás. Pensei que era a coisa mais horrorosa a se dizer para a pessoa que se ama. Mas estranho, hoje ainda estamos juntos. Mas não escapamos dessa máxima.
Ainda bem que tudo acaba. Pois só assim a vida se renova. Imagina se gostássemos só de andar pela rua do lavradio, tomando sorvete, vendo o bonde passar pelos arcos? Todo sábado andando pelo centro do Rio. Mas outras felicidade vieram e se nós não dessemos espaço, não haveria futuro. Você ainda tem o mesmo nome, os traços ainda parecidos, ainda que mais maduros, mas você não é o mesmo. Heráclito!
Você pode até acreditar que certas coisas nunca mudam. Mas o tempo é imensurável. contínuo.